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"Disseram-me: verás quando tiveres cinqüenta anos. Tenho cinqüenta anos: não vi nada". Erik Satie



























avant-dernières pensées
27.2.07

Tralálá que gente é essa? Tralálá que gente má!

Tenho um amigo gay de família judaica mega rica de São Paulo, capital. Ele tem menos de 25 anos, hiper inteligente, culto e tal. Gay. A família não admite que ele seja gay, por isso o expulsou do país. Não só de São Paulo, mas do Brasil. Ele mora na Europa há muitos anos, bancadérrimo, em bairro chique, apê lindão. Fez faculdades carérrimas. Nunca precisou trabalhar. Tem mordomias incríveis, mil viagens pagas em troca de não voltar pro Brasil porque ele pode sujar a honra da família. A irmã nem fala com ele, pq o fato de ele ser gay pode impedir que ela faça um bom casamento na colônia judaica tradicional. A mãe, então, não admite e pronto! Já sugeriu ele se internar naquelas clínicas laranja-mecânica. Ele não quer abrir mão da mordomia, como se achasse que eles têm que pagar até o amargo fim pelo exílio luxuoso dele. Todos infelizes, ricos de cair. A novela das oito tem sido mais generosa do que essa vida madrasta aí...


Respeitar diferenças, eis o mistério da fé (guga, roubei de vc)

3:15 AM Comments:

19.2.07

terezinha carnavalesca

o primeiro me chegou na véspera, perguntando se eu ia lá no bloco onde ele toca. Fui. Ele não deu a mínima pra mim, ficou com uma cara de bunda horrivel. Nao era pra mim, espero. Perdi de vista, voluntariamente.

o segundo me chegou por trás, me puxou com carinho, me deu um cheiro e disse: ei, garota cheirosa, vai pra onde? o melhor beijo na boca, melhor cheiro, melhor tratamento, melhor carinho, melhor fofura, melhor tesão, melhor empenho. Ele, 35 anos, supercarioca marrento da Lapa, ocupação totalmente indefinida: namora comigo? Vc é tudo o que eu quero na vida, nunca mais fui ao cinema, vamos ao cinema gata? E eu, ébria e carnavalesca: Ah, dindi, se soubesses o bem que te quero, o mundo seria dindi, lindo, dindi, tudo, dindi... Nao tenho nada pra te oferecer, gata, vamos só dormir abraçadinhos. Acredito, mas não vou em frente, pesarosa. Carnavais demais nas costas, sabe como é. Entro num taxi, na Mem de Sá: até um dia, até talvez, até quem sabe...

o terceiro me chegou no Jobi. Inteligente, mineiro, culto, rico, gente fina. Mas nao me alegrava em nada. E assustada eu disse: não!


dionisio leitão

1:21 AM Comments:

13.2.07

Patuá

Minha sobrinha vem muito aqui em casa e brinca sempre com as Barbies da minha infância, que guardo com todas as roupinhas e sapatinhos que restaram. Claro que eu fui criança outro dia, faz pouco tempo, mas a erosão, sabem como é. As coisas estão meio aos pedaços.

Os sapatinhos são o maior problema, pq eles desaparecem como por encanto, por obra talvez de um saci invejoso que tb quer brincar. O fato é que os sapatinhos somem sempre um de cada vez, e a gente fica louca procurando pela casa por um pé daquela coisa microscópica, que aparece só no dia em que o saci devolve, às vezes, anos e anos depois do dia do sumiço.

Eu tenho uma mala de viagem que uso sempre pra levar minha tralha pros shows: figurino, maquiagem, acessórios, roda de magnésio, vidro bolha, essas coisas. Essa mala fica sempre meio pronta, pq tenho uma necessaire que mora lá, pra nunca ter o risco de esquecer esmalte, acetona, pauzinho de laranjeira, desodorante, perfume, escova e pasta de dentes, sabonete, toalhinha, fio dental, espelhinho, um batom, um par de brincos coringa, estojinho de costura, lixa de unha, esparadrapo. SOS quarto, camarim, ônibus ou van. O que tiver.

Esses dias eu abri a minha mala num camarim fora do rio pra me arrumar pro show e quem estava lá? O sapatinho vermelho do Toddy, o sobrinho da Barbie, dado como desaparecido há uns 20 anos! Junto com ele um pé de meia da minha sobrinha, de qdo ela era ainda bebê. Não quero nem saber como isso foi parar lá. Eu, que não sou boba nem nada, nunca mais tiro eles de lá, pq quero mais esse talismã de saci, esse portal da infância, esse axé de sobrinha fofa a me acompanhar por aí e me abençoar com tanta fofura...


fofo demais, né?

7:41 PM Comments:

10.2.07

Tudo o que sobe tem que descer

Confesso que não tenho o menor saco pra essa coisa de "estar sempre pra cima". Acho um saco gente que ri à tôa, que nunca reclama da vida. É tão chato quanto gente que sempre reclama da vida e está sempre de baixo astral.

Tem gente que não pode ouvir você dizer que está chateado que começa a querer "botar você pra cima". Tem gente que bate no peito e diz: eu nunca fico mal. Tem gente que só vai ao cinema pra rir e diz: ah, não, essa coisa que faz a gente pensar na vida, ah, não... Não entendo qual é o problema de chorar num filme, de sofrer com um livro ou de sair mal da terapia. Um dia ou outro. Nada é todo dia e nada é para sempre. Não tenho medo de ficar deprimida, não tenho medo de ficar feliz. Eu sei que a vida vem em ondas como o mar. Isso também passará...

Neste país de desigualdades, todo dia tropeço na desgraça alheia. Tem dia em que não dá pra ser feliz olhando em volta! E tem gente que fala: é só olhar em volta pra ficar feliz. Entendo o ponto-de-vista. Mas não todo dia.

E depois, só tem uma coisa que é boa sempre pra cima, e mesmo assim, nem precisa ser o tempo todo... (exclamou a princesinha, finíssima!!!)


tá vendo? nem sempre pra cima...

2:37 AM Comments:

8.2.07

Pausa pra falar sério

As famílias de crianças com Erro inato do metabolismo lutam para aprovar um projeto de lei que amplia o teste do pezinho para que ele passe a detectar não só três, como acontece atualmente, mas 20 doenças, tratáveis, se forem diagnosticadas precocemente. Uma criança com esse Erro inato não pode mamar no peito, já pensaram numa coisa dessas? O único alimento tolerado é importado, sem subvenção do governo, e custa cerca de R$ 150,00 para cada dois dias de alimentação. Para conseguir ajuda oficial, as famílias precisam entrar com uma ação contra o governo a cada três meses, podem imaginar o que é isso? O PL também prevê escolas e hospitais especializados, além de nova rotulação para alimentos industrializados. O diagnóstico é difícil e a criança morre muitas vezes sem a família saber o porquê. Pais e mães desesperados não sabem mais como lutar para manter seus filhos vivos e evitar que outras crianças morram. Quem viu o filme O óleo de Lorenzo sabe do que estamos falando. Quem já ouviu falar em "síndrome do berço", também. A morte súbita infantil tem, frequentemente, erros inatos de metabolismo por trás.

Eu conheço uma criança que tem. E os pais, que tinham grana, não têm mais nada, nada. Gastaram tudo para manter a filha viva. A Cris, mãe da Hannah, está numa luta incessante para conquistar direitos para a sua filha e para todas as crianças necessitadas do Brasil. A barra é pesada, coisa para heróis...

aqui para ler os detalhes da luta da Hannah e da Cris
Ou no Orkut, onde a comunidade é super ativa


Saúde!

6:28 PM Comments:

7.2.07

Romance de Uma Caveira

Vi ontem a foto de um casal de caveiras neanderthal encontradas abraçadinhas e nao pude evitar a piada com esse clássico da jecamusic:

Eram duas caveiras que se amavam
E à meia-noite se encontravam
Pelo cemitério os dois passeavam
E juras de amor então trocavam.
Sentados os dois em riba da lousa fria
A caveira apaixonada assim dizia
Que pelo caveiro de amor morria
E ele de amores por ela vivia.
Ao longe uma coruja cantava alegre
Por ver os dois caveiros assim felizes
E quando se beijavam entao funebres
A coruja batendo palma e pedia bis
Mas um dia chegou de pé junto
Um cadáver novo de um defunto
E a caveira pr'ele se apaixonou
E o caveiro antigo abandonou.
O caveiro tomou uma bebedeira
E matou-se de um modo romanesco
Por causa dessa ingrata caveira
Que trocou ele por um defunto fresco.


Alvarenga e Ranchinho sabiam tudo!



4:19 PM Comments:

6.2.07

Ao meu amor incrível

Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada ¨impulso vital¨. Pois esse impulso ás vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como ¨estou contente outra vez¨...

Metâmeros, Caio F Abreu


isto é uma camisa de força


4:20 AM Comments:

4.2.07

Tribo de Jah

O pesquisador Ryan Metcalf disse à BBC: "A medicina do Egito Antigo era incrivelmente avançada para a época. Várias coisas que eles usavam nós ainda usamos hoje. Eles certamente tinham remédios à base de plantas bastante avançados e provavelmente sabiam sobre o uso de cannabis"...


Olhaí o enigma da esfinge, revelado... Eu sempre achei o Egito mó viagem...


7:59 PM Comments:

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